terça-feira, 24 de novembro de 2015

Síndrome de Drácula





na sala de estar
pálida
Fraulein  me fita
lírica


ávido

miro seu pescoço
gótico

gélida
a valquíria espreita-me
épica

cético
duvido do seu acento
bávaro

etílico
antevejo uma noitada
homérica

na  atmosfera lúgubre
a metamorfose lógica
(de súbito escondo os dentes...)

lânguido
esboço um gesto 
enfático

cai a madrugada
cálida
(bocejos)

caem os véus
de nossos corpos tépidos
no leito lúbrico

mãos sôfregas
tateiam um peito
flácido
línguas se enroscam
                                            tácitas

lá fora
a manhã desponta
trágica
(Jul/1986)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Obblio






I.

forse un giorno appena nato
porti via l’ombra dei pensieri malati
e chiudi gli occhi stanchi
di regnare soppra tante notti

non ne posso piú
basta di desideri ed illusioni
sogni deboli

andate via fantasmi
vi concedo la libertà  del mio annientamento
e si nell’alba venite a cercate i miei passi
non ne avrò lasciate impronte

perso nel polvere di questo deserto
sarò un grano di sabbia

soltanto un faro lontanissimo
mi farà la guida




II.

al fine della lunga notte
la luce é apparsa
ma scappa spesso

gli occhi in buio
titubiante 
cammino

nella notte spessa
i cani abbaiano lontano
mentre i grilli picchiano
l’aria calda

in mezzo agli uomini
sono un  nomade
assetato in cerca di una parola
nella gola stretta



 III.
  
la mamma dorme accanto
il fischio del suo sonno
arriva dove sono io

mi ricordo di me stesso
è  l'estate e le finestre sono aperte

sono un uomo sparso
nel mio tempo
e vivo a cercare i miei pezzi
lasciati lungo il cammino

di nuovo mi trovo dimenticato
nei miei riflessi





 IV.

 non so dove vanno i cani
a cercare il loro inferno
qui vicino io mi ritrovo
scopro il mio orrore

magari questa angoscia finirà

un giorno di sole
cui faro lucente
vedró
lontano
mi porterà avanti

intanto soffro ancora
dio
soffro per amore
poveri cani povero io
sono sbagliato nel buio dei miei sensi
pazzo
leggo fumo scrivo
mentre guardo un sentiero invisibile





(San Paolo, nov/1989)






quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O contemporâneo de repente



de repente o gesto desesperado
lança-nos nas sombras
do insondável presente
este assombroso intervalo
                                                   nas dobras 
entre as vértebras rotas
na vertiginosa fratura da rotina

do ato inesperado
verte o amálgama de sangue
e ossos triturados na engrenagem 
                                                          da alma
que gruda o vidro da retina
à pele enrugada do mundo

assim apartados
                                            de repente
despertamos opacos
tateando o pálido dorso da fera
                                                translúcida 
em cujo desfigurado semblante
vemos nosso rosto prefigurado

(set/2014)



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Pelos caminho de Vênus


pelo felpudo delta venusiano
enleado no lácteo limbo  
pelo meio entre pelos ciliares
um pentelho

cisco enroscado  no céu da boca
preso à glote e logo revolvido
em hábil lambida pelo leito lábil
envolto pelo lúbrico leite
pelo vão entre pelos laterais
um grelo

cisto escondido sob latos lábios
vórtice de cristas encrespadas
em estritas rugas melífluas
pelos lados entre pelos aveludados
uma greta

fenda intersticial de abissal vertigem
fonte recôndita de fecunda fistula
onde  a tez desliza ilesa
pelo ínterim entre pelos  rentes
uma  gosma

ácida de suada  púbis

no compasso marcado da úmida síncope

entre enlaces de língua e hálito
pelo fim  entre pelos buços enfim
um grito

(ago/2012)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Il male della smarrita via



la selva oscura
la troviamo dappertutto
popolata da vermini pianti bestie

dentro la notte selvaggia

stridi 
          compianti
                            lamenti

sussurri sconosciuti
note dolenti 
occhi scintilanti nel buio

sempre al di là di ogni ricordo

smemorati
cerchiamo sentieri
ma l'occhio è chiuso
l'orecchio non sente
la boca non apre

sì 
ci fà paura
sapere che dobbiamo morire
anche le stelle muiono 
il cielo e la terra cambiano
e nessun ne può indovinare il senso

il gran mistero 
ci fà piccolini 

(San Paolo, 1989)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013



o silêncio prevalece
meu mundo sucumbe
a tudo que não fui e não sou
o vazio se faz cheio
e transborda

quedo-me fragmentado
em infinitas faces me disfarço
e me desfaço
a razão se faz loucura
e transborda

a palavra perde o poder
o ritmo do meu pulso
cala minha voz
o dia se faz noite
e transborda

de muito além (ou aquém)
de trilhas não pisadas
um só som om
o ser se faz não-ser
e transborda

(abr/1985)