quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Pelos caminho de Vênus


pelo felpudo delta venusiano
enleado no lácteo limbo  
pelo meio entre pelos ciliares
um pentelho

cisco enroscado  no céu da boca
preso à glote e logo revolvido
em hábil lambida pelo leito lábil
envolto pelo lúbrico leite
pelo vão entre pelos laterais
um grelo

cisto escondido sob latos lábios
vórtice de cristas encrespadas
em estritas rugas melífluas
pelos lados entre pelos aveludados
uma greta

fenda intersticial de abissal vertigem
fonte recôndita de fecunda fistula
onde  a tez desliza ilesa
pelo ínterim entre pelos  rentes
uma  gosma

ácida de suada  púbis

no compasso marcado da úmida síncope

entre enlaces de língua e hálito
pelo fim  entre pelos buços enfim
um grito

(ago/2012)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Il male della smarrita via



la selva oscura
la troviamo dappertutto
popolata da vermini pianti bestie

dentro la notte selvaggia

stridi 
          compianti
                            lamenti

sussurri sconosciuti
note dolenti 
occhi scintilanti nel buio

sempre al di là di ogni ricordo

smemorati
cerchiamo sentieri
ma l'occhio è chiuso
l'orecchio non sente
la boca non apre

sì 
ci fà paura
sapere che dobbiamo morire
anche le stelle muiono 
il cielo e la terra cambiano
e nessun ne può indovinare il senso

il gran mistero 
ci fà piccolini 

(San Paolo, 1989)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013



o silêncio prevalece
meu mundo sucumbe
a tudo que não fui e não sou
o vazio se faz cheio
e transborda

quedo-me fragmentado
em infinitas faces me disfarço
e me desfaço
a razão se faz loucura
e transborda

a palavra perde o poder
o ritmo do meu pulso
cala minha voz
o dia se faz noite
e transborda

de muito além (ou aquém)
de trilhas não pisadas
um só som om
o ser se faz não-ser
e transborda

(abr/1985)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Ártico




não há peso nestas linhas
as palavras secas ao leve
toque se despedem
da branca planura
e vão ao léu


sem rumor
                        

versos ressequidos vão 
                                               sem rumo
v
  i
   r
     a
       n
           d 
               o

pó 
tocados por dedos a esmo não adianta procurar o leite e o mel 
a canção dos marinheiros 
a terra à vista
não se ouvirão alvíssaras neste poema
no branco rarefeito
apenas o silêncio ártico ao sol da meia-noite

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Back/s/lash




between one world and another
here and there
in and out
between
the heartbreak and the milkshake
between
the last and the next breakfast
after the earthquake
a look at and a thought of/off
the land/out/scape
the abyss/sense
the vert/ego
grammato/ontological delirium
back/baquic/ground
in time/s/pace

(EL, dez/2000)

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Perfeição


um fruto cai no silêncio da noite
sazonado à plenitude
não resiste à atração da terra
e rompe

entre muitos que ficam
ele cai

todo glória e perfeição

no seu surdo encontro com o chão
chama para si o universo

está acabada a obra
e nada foi perturbado

(nov/1994)