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terça-feira, 26 de junho de 2018

El Perro




mijo na porta da amada cachorra (cadê ela?)
a cadela vive no cio enquanto eu morro no ócio
                
num repente relembrei estar em noite de lobsomem

arredio farejo um logro
arrepio a crina
arredo o pé

vida de perro não é fácil
roo o osso mas não sou dócil
não fico perrengue

ladro um fero brado
nos derredores
vinte palmos de pelo e marra
pelo ocre caninamente escuro 
erro pelos becos em  pelos eriçados
rente ao muro
trago um cigarro barato
olhos em brasa rosno um rock
sou El Perro

entre lobos e homens eu aperreio-me
mordisco uma carniça rego a goela ardente
berro erres de ressentimento e raiva
rolo na terra fico louco (não sou cachorro)
                        arrepio-me
a contrapelo roço o couro na parede
mordo o próprio rabo
                   coço o saco
                       
crio rugas na testa e pelos na orelha
planto verrugas no rosto
vocifero pragas entre dentes
sob o plenilúnio lato 
recuso o uivo estridente e não viro a lata
                        aperreio-me
sou El Perro (eu não sou cachorro não)

(mai/2013)

3 comentários:

  1. entre o rude, o caos natural, o animalístico, o humorado e o feio, original é este trabalho ímpar. Sobre a feiura? A poesia valoriza essas coisas nas suas palavras.

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  2. Maravilhoso poema!
    Assim mesmo, rasgado, ao mesmo tempo que limpo, um sujo que me agrada!

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  3. Maravilhoso poema!
    Assim mesmo, rasgado, ao mesmo tempo que limpo, um sujo que me agrada!

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