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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ICEBERG (Paulo Leminski)



Uma poesia ártica,
     claro, é isso que desejo.
Uma prática pálida,
     três versos de gelo.
Uma frase-superfície
    onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
    Frase, não. Nenhuma,
Uma lira nula,
    reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
    a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
    nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?).
    Sim, inverno, estamos vivos.

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