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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Justificativa 1





um poeta de banco de rodoviária
tem ao menos o pretexto
de escrever enquanto espera o ônibus
como justificativa de um despropósito

escrever como um (des)cumprimento irreverente
ao silêncio que bate à porta

zen-filosofia-nenhuma

calando eus que estão sendo
impermanentes sombras que escapam
à concretude da escrita

secando  vozes que gritam
rios errantes que se turvam
ao distanciar-se da fonte

sufocando ecos que insistem
restos de som que sobrevivem
à   palavra-prima inaudita

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