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domingo, 17 de abril de 2011

Hecce Homo




filho do mar cibernético
simples gota do complexo
perdido no ontologismo hermético
do seu ser-desconexo

trânsito de um ser-assim
para outro tão semente
poeira soprada no devir sem fim
(cabeça e cauda da serpente)

eterno neófito no metafísico claustro
fruto condenado à podridão
fareja seu próprio rastro
e se perde  (abstrato  cão!)

fustigado por seu passo erradio
cansado de cheirar as próprias fezes
busca desesperado  um ponto no vazio
(um antídoto para suas antíteses)

levado pelo vento arquetípico
vindo de regiões antropofágicas
arrebenta contra muralhas mitológicas
(desfaz-se o sonho utópico)

de novo descobre-se  lama
rateiro rasteja ser vil
e ri e chora e odeia e ama
(e louvado seja esse rio! )

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